QUEM É O VERDADEIRO CORRUPTO?

 Quem é o verdadeiro corrupto? Tempo de lembrar as lições de Maquiavel [Nicollò Macchiavelli (1469-1527)], o gênio da arte de governar. Mas não comentarei sua obra mais famosa, O Príncipe, livro curto e poderoso, cujos conselhos podem e devem ser ponderados, adaptados e – por que não? – copiados.

Vamos comentar uma peça de teatro de Maquiavel, A Mandrágora, sátira que foi ao palco pela primeira vez em 1518. Como nas fábulas, a intenção é transmitir, com comicidade, uma lição moral.  A Mandrágora espelha com humor uma das maiores virtudes do autor: a total ausência de hipocrisia. Resgata a reputação de Maquiavel, injustamente acusado de amoralismo, uma falsa reputação que lhe atribui, erroneamente, uma frase que ele jamais escreveu, a tal “os fins justificam os meios”.

A Mandrágora conta as peripécias de Calímaco, um simpático malandro cujo objetivo é conquistar e levar para cama a bela Lucrécia, a aparentemente virtuosa esposa de um respeitável comerciante, Nicia.  Já o maior desejo de Nicia, ainda não realizado, é ter um filho e herdeiro. Calímaco por acaso chama Nicia para um duelo, enfrentando-o pela força? De modo algum: prefere uma engenhosa artimanha. Para isso, conspira com um piedoso padre e o convence a armar uma cilada: disfarça-se de médico, e convence o ambicioso Nicia que possui o segredo para engravidar Lucrécia, e ela conceber um varão: bastaria ministrar (isto é, drogar) a esposa com a erva mandrágora, pois, segundo o falso médico, a ingestão da erva aumentaria a fertilidade da moça.

Há um senão, porém. O falso doutor avisa que a prescrição tem um inconveniente: o primeiro homem a se deitar com Lucrécia após a beberagem morreria logo em seguida. O respeitável Nicia não hesita: concorda em deixar qualquer um copular com a esposa, e, pior, em deixar o infeliz morrer envenenado. Lucrécia, no inicio relutante e fiel, acaba convencida de que deve fazer tal sacrifício pela própria mãe e pelo padre.

Num final feliz, em que todos enganam todos, todos igualmente saem satisfeitos. Calímaco possui Lucrécia, a mãe gananciosa suspira de alívio com a manutenção do casamento, o religioso se mantém com as benesses da rica família, e o tolo Nicia satisfeito com o  ilusório herdeiro que lhe garantiram. Ninguém sai ferido. Só sai machucada a pretensão de virtude com que todos se pavoneavam.

O espírito maquiaveliano está por inteiro nesta sátira: as razões – discutíveis, até indignas – que se escondem atrás da conscienciosa aparência. O egoísmo é o motor das ações, apesar dos princípios alardeados, nos alerta Maquiavel.

Qual conduta é mais condenável? A do ardiloso e apaixonado sedutor ou a do inescrupuloso padre, a do marido oportunista que não titubeia em deixar um desconhecido morrer e em ser traído, a da esposa adúltera, ou a da sogra interesseira, que age como alcoviteira? Quais os verdadeiros corruptos nesta história?

Maquiavel  inaugura o realismo politico. O maquiavelianismo é um produto típico de seu tempo, a Renascença, em que se cultiva uma admiração pela destreza e pelo sucesso, pela “Ciência do êxito”.  Mais atual, impossível.

Como disse Bertrand Russell sobre o florentino, nunca alguém foi tão honesto, intelectualmente, sobre a desonestidade da política.

*Texto publicado no Jornal da Usp-Marilia Fiorillo, Professora de Filosofia Política e Retórica da Escola de Comunicações e Artes da USP.

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ENTIDADES PEDEM APOIO DE CANDIDATOS EM DEFESA DA AGROECOLOGIA

A Articulação Paulista de Agroecologia, o Movimento Urbano de Agroecologia (Muda), a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e o Coletivo Banquetaço elaboraram uma carta de compromissos para colher as assinaturas dos candidatos à eleição deste ano, incluindo cargos do executivo e do legislativo. 

A iniciativa faz parte da “Campanha Agroecologia nas Eleições em SP”, que defende a agroecologia e a democracia para superar a fome, a sede e a destruição ambiental.

Mais de 20 organizações da sociedade civil também subscreveram a carta, como a Associação Brasileira de Reforma Agrária, o Fórum Paulista de Soberania e Segurança Alimentar e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra SP.

Uma das demandas é a garantia de incentivo técnico, econômico e administrativo para agricultores familiares, indígenas, quilombolas e assentados da reforma agrária, democratizando o acesso à terra e aos recursos necessários para o cultivo de alimentos saudáveis.

Outra solicitação é a capilarização da execução, em todo o estado, da Política Nacional de Agricultura Urbana e Periurbana (PNAUP). A carta cita a criação e apoio às hortas urbanas comunitárias que fazem cultivo agroecológico e compostagem de resíduos, inclusive em escolas e demais serviços públicos.

Em relação aos agrotóxicos, o documento defende o combate à pulverização aérea de agrotóxicos no estado, com sua proibição imediata no entorno de escolas, mananciais e comunidades.

A estruturação de laboratórios públicos estaduais para monitorar resíduos de agrotóxicos na água e nos alimentos é mais uma medida considerada importante pelas entidades, além da promoção de debates no legislativo e executivo e campanhas nas comunidades sobre os impactos nocivos dos agrotóxicos.

Núcleos de estudos de universidades ligados à agroecologia também subscreveram o documento. Esses núcleos são vinculados à Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), a Universidade Estadual Paulista (Unesp), a Universidade Federal do ABC (UFABC) e o Instituto Federal de São Paulo (IFSP) em São Roque.

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CNBB DEFENDE ÉTICA NA JUSTIÇA

Em reunião esta semana, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) engrossou esse coro, ao conclamar “os Poderes da República, suas autoridades e toda a sociedade” a esclarecemos fatos e a rejeitar tanto o silêncio diante de possíveis irregularidades quanto qualquer tentativa de enfraquecer as instituições.

 “O Brasil necessita de verdade sem manipulação, de justiça sem privilégios, de instituições que sirvam ao bem comum, de lucidez e paz”, diz o texto assinado pelo presidente da CNBB, Dom Jaime Spengler, e a cúpula da Conferência.

Ética/ A CNBB defende, ainda, que os ministros revejam seu comportamento, ao dizer que considera “oportuno que o Código de Ética em elaboração pelo Supremo Tribunal Federal receba o devido encaminhamento institucional, oferecendo parâmetros claros de conduta e contribuindo para a proteção da autoridade da Suprema Corte”. 

E deixa claro que os ministros devem ser investigados, ao dizer que “ninguém deve estar acima da lei, assim como ninguém deve ser previamente condenado”, e cobrar transparência: “Importante que questões de tamanha relevância institucional sejam examinadas pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, de maneira colegiada, pública e transparente, permitindo à sociedade acompanhar os procedimentos e conhecer os fundamentos das decisões. Espera, igualmente, que as instituições responsáveis pela investigação possam exercer suas atribuições com independência, segurança e respeito às competências constitucionais”. Em suma, nada de jogar as denúncias para debaixo do tapete.


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FESTIVAL SEBASTIÃO DIAS DE REPENTE ACONTECE EM TABIRA PERNAMBUCO

A terceira edição do Festival Sebastião Dias de Repente acontece neste domingo (13/09/2026), em Tabira, às 20h, logo após a missa, no pátio da igreja matriz (Praça Gonçalo Gomes, 32, Centro,  Tabira – PE). O evento vai reunir nomes da cantoria e da poesia em homenagem ao poeta, cantador, repentista, cordelista e compositor.

A programação reúne as duplas Aryel Freire & João Lourenço, Adelmo Aguiar & Arnaldo Pessoa, Diomedes Mariano & Felipe Pereira, George Alves & Josivaldo Rodrigues, Pedro de Alcântara & Edivaldo Nogueira e Zecarlos do Pajeú & André Santos.

Além das apresentações de repente, o festival terá declamação de Sara Cristóvão, participação do poeta Dimas Feitosa e de Seu Marquinhos na sanfona, em tributo a Sebastião Dias, e uma pintura ao vivo da artista visual Tati Pereira.

Esta edição será dedicada ao poeta e repentista Raimundo Borges, que faleceu em 26 de agosto deste ano. Parceiro de Sebastião Dias, Raimundo participou ao lado dele no primeiro LP da carreira, "Um Passeio no Sertão".

O III Festival Sebastião Dias de Repente é realizado pelo Instituto Poeta Sebastião Dias, com apoio da Prefeitura de Tabira, por meio da Secretaria de Cultura, Turismo e Juventude, e parceria da Associação dos Poetas e Repentistas de Tabira (APPTA). Acompanhe o festival pelas redes sociais @poetasebastiaodias

HISTÓRIA - Sebastião Dias Filho nasceu em 13 de setembro de 1950, em Ouro Branco (RN), no Seridó, e descobriu a cantoria de viola por iniciativa própria, inspirado pelos grandes cantadores e pelo cordel. Filho de camponeses, enfrentou inicialmente a resistência do pai, mas construiu uma carreira de destaque na poesia popular nordestina. Ao lado de João Paraibano, participou por anos do programa Encontro com a Poesia, da Rádio Pajeú, e gravou o aclamado disco "Prelúdios Nordestinos", tornando-se conhecido como "Canário da Poesia". Casado com Iêda Melo e pai de cinco filhos, também teve músicas de grande repercussão, como "Conselho ao Filho Adulto". Em Tabira, seu prestígio como poeta o levou à política: foi vereador e prefeito reeleito, vencendo as eleições de 2012 e 2016. Após dois mandatos, afastou-se da política e voltou a dedicar-se cada vez mais à viola e à poesia. Faleceu em 3 de dezembro de 2023, aos 73 anos, deixando um legado imensurável para a poesia popular.

Serviço III Festival Sebastião Dias de Repente

13 de setembro

20h – após a missa.

Pátio da Igreja Matriz (Praça Gonçalo Gomes, 32, Centro,  Tabira – PE)

Gratuito – para todos os públicos


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CORTEJO DAS SANFONAS MOVIMENTA RUAS DE AREIA, TERRA PATRIMÔNIO NACIONAL DA CULTURA

As ruas e o patrimônio histórico de Areia, no Brejo paraibano, serão transformados em palco para os sanfoneiros nesta sexta-feira (11), durante a programação do Cortejo das Sanfonas. O evento reúne música, cultura, artesanato e gastronomia e terá como um dos momentos de destaque a apresentação de uma orquestra sanfônica nas janelas do Casarão José Rufino.

A programação começa às 16h, com um desfile de jeans reciclável. Em seguida, a Orquestra Sanfônica de Gurjão se apresenta nas janelas do casarão histórico, levando a sanfona para a arquitetura que marca o Centro Histórico de Areia e criando uma apresentação que poderá ser acompanhada pelo público nas ruas.

Na sequência, o músico Marcelo Mimoso fará uma apresentação musical surpresa na praça. A participação do artista foi pensada para integrar a programação ao movimento espontâneo do público no Centro Histórico, criando um momento de encontro entre música e espectadores antes da continuidade do cortejo. A apresentação antecede outro momento simbólico da programação, marcado para as 18h, quando os sanfoneiros entram na igreja para executar a Ave Maria Sertaneja.

Às 19h, começa a concentração para o grande cortejo. Os sanfoneiros seguem pelas ruas da cidade até a praça de eventos, em um percurso que aproxima música, patrimônio e público e transforma o Centro Histórico em cenário para as apresentações.

Na chegada à praça, a programação continua com feira de artesanato e gastronomia e apresentações das orquestras sanfônicas de Gurjão e Balaio do Nordeste, além do Trio de Forró Gente Manhosa. O cantor Amazan encerra a noite com show musical.

O evento é uma realização do Areia Convention & Visitors Bureau, Sesc, Prefeitura Municipal de Areia e Secretaria de Estado da Cultura da Paraíba.

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PROJETO FORRÓ DO POEIRÃO SERÁ REALIZADO EM OURICURI E EXU

Na quinta-feira, dia 17 de setembro, acontece em Ouricuri o Forró do Poeirão. Iniciativa criada pelo cantor Tacyo Carvalho e agora ganha mais um edição, dessa vez, na praça. 

O evento será gratuito e acontece na Praça Frei Damião, a partir das 18 horas, em Ouricuri, Pernambuco.
 
Participam dessa os cantores e sanfoneiros Tacyo Carvalho, Elmo Oliveira, Joquinha Gonzaga, Vital Barbosa, Adelson do Acordeon, Limão do Forró, os poetas Ramírio e Juarez Nunes e o Grupo Cultural Aricuri.

"Forró do Poeirão. Serão noites para valorizar a cultura popular e de forró da melhor qualidade", diz Tacyo Carvalho

Na sexta-feira, 18 de setembro, será a vez do evento acontecer em Exu, Terra de Luiz Gonzaga. O evento será gratuito na Praça Da Matriz, a partir das 18 horas.
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DEL FELIZ LEVA O FORRO PARA A BIENAL DO LIVRO DE SÃO PAULO

O cantor e compositor baiano Del Feliz participou, nesta semana, da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, na capital paulista, onde representou o forró e a cultura nordestina. Pela segunda vez que o artista integrou a programação do evento, considerado um dos grandes encontros do setor literário na América Latina, e levou a música nordestina para um espaço dedicado aos livros, à literatura e à diversidade cultural brasileira.

A presença de Del Feliz na Bienal amplia o diálogo do forró com outras manifestações artísticas. Em um evento que reúne escritores, editoras, leitores e representantes de diferentes áreas da cultura, o cantor defendeu a importância de o gênero ocupar espaços que vão além dos palcos e dos tradicionais festejos juninos. "Estar na Bienal representando a Bahia e o forró é uma honra. É importante que a nossa música esteja nesses espaços, ao lado da literatura e do cordel. O Nordeste tem uma produção cultural muito rica e precisamos ampliar cada vez mais essa presença", afirma Del Feliz.

O artista se apresentou no espaço Cordel e Repente, organizado pela Editora IMEP, que celebra 25 anos de atuação. A iniciativa reúne representantes de diferentes estados nordestinos e abre espaço para manifestações ligadas à literatura de cordel, à música e à tradição oral.

Para Del Feliz, a participação também reforça o papel do forró como parte da identidade cultural do Nordeste. A presença do gênero em uma feira literária permite estabelecer conexões com o cordel, a poesia e outras linguagens que compartilham referências e histórias da região.

Durante sua passagem pelo evento, Del Feliz encontrou artistas e representantes da cultura baiana e nordestina. O cantor destacou ainda a dimensão nacional da Bienal e a oportunidade de apresentar o forró a públicos diversos.

A participação em São Paulo integra uma agenda na qual Del Feliz tem buscado levar a música e a cultura nordestinas a diferentes espaços no Brasil e no exterior. Após a Bienal, o artista segue para Paris, na França, onde dará continuidade à agenda internacional.


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