FAUSTO LUIZ MACIEL, PILOTO, AGORA VAI TOCAR ZABUMBA EM UMA NOVA MORADA

Eclesiastes 3:1-2: "Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer, e tempo de morrer. A Bíblia também reconhece que o mundo é governado por imprevistos e fatalidades que afetam a todos, independentemente de um "destino" pré-traçado.

No último sábado, 17 de agosto, estive com Fausto Luiz Maciel, conhecido nas histórias e prosas por Piloto. Sobrinho de Luiz Gonzaga e neto de Januário. Filho de Muniz, a irmã que Luiz Gonzaga dizia ser "a que mais rezava".

Na terça-feira (20), madrugada o Piloto não resistiu aos ferimentos provocado por um acidente de carro e partiu, morreu, "viajando para o Sertão da Eternidade"

Aos 70 anos de Piloto, o destino e vida marcou mais um encontro. Nas palavras do escritor Onaldo Queiroga: acordamos hoje com esta triste notícia. estive algumas vezes com Piloto no Exu. Sábado passado o amigo Ney Vital esteve no Exu onde conseguiu realizar a última entrevista com Piloto, material que nos foi repassado no mesmo dia para ser incluso no livro biográfico de Joquinha Gonzaga que eu e Ney estamos trabalhando. Inadacreditável. Que Deus permita forças ao amigo Joquinha e familiares para enfrentar este momento tão difícil e que Piloto descanse em paz sob a proteção de Deus. só nos resta agora a saudade boa do amigo Piloto"

Do primo de Piloto, Daniel Gonzaga pelas redes sociais: Hoje o dia acorde mais triste. Meu primo Piloto já não está por aqui. Deixo um beijo para todos de minha família. Tempos difíceis. Batalhas silenciosas...do retrato sobre eu e

Piloto começou a acompanhar o tio Luiz Gonzaga no ano de 1975. Bom ritmista, tocou zabumba e sua primeira gravação com o tio foi no disco Capim Novo, em 1976. Participou de inúmeros trabalhos e viagens lado a lado com Luiz Gonzaga como zabumbeiro, motorista e secretário.

A partir de 1980 seguiu acompanhando Luiz Gonzaga em todos os seus trabalhos, até o ano do falecimento, em 1989, do tio. Piloto morava em Petrolina Pernambuco.

Piloto reafirmou em sua última entrevista para o livro que junto com Onaldo Queiroga estamos trabalhando que conheceu todos os grandes cantores da época, citando Jackson do Pandeiro, Ari Lobo, Abdias, Sivuca, Dominguinhos, Lindu e Marines.  Teve momentos de muitos aprendizados e viu muitos fatos e acontecimentos na carreira do tio, Luiz Gonzaga.

Quando ia gravar um dos últimos discos, eu quis viajar logo para o Rio de Janeiro  com ele, que me pediu que ficasse em Exu, quando precisasse, mandava a passagem e eu iria. Avisei que fizesse isto com antecedência, porque não ia às pressas. E foi o que aconteceu. João Silva me ligou dizendo para eu pegar o ônibus que a gravação ia começar tal dia. Estava muito em cima, respondi que eu não iria. E não fui”. 

Revela hoje que os arroubos faziam parte da idade e uma certa imaturidade e dificuldade de compreender o humor do tio, que "pela manhã estava feliz, no meio dia calado e á noite ninguém perguntasse duas vezes". "Mas houve momentos de muitos abraços e declarações de amor. Bons momentos de felicidades".

Piloto conta que Mais do que somente historias das andanças do Rei do Baião, o que se revela e até hoje é um mistério: Luiz Gonzaga era complexo, de mudança bruscas de temperamento, centralizador, sempre, autoritário quase sempre,  mas que em certos momentos podia ser inesperadamente humilde e gentil. "Gilberto Gil disse que os gênios são assim, e isto revela o ser humano que era meu tio Luiz Gonzaga. Um gênio".

O jornalista José Teles, escreveu, que de todos os que trabalharam com Luiz Gonzaga, Piloto foi o único que não aguentava em silêncio os arroubos de mau humor do tio.

Motorista e zabumbeiro, Piloto foi também empresário de Luiz Gonzaga. Ele afirma que durante os anos que conviveu com Gonzagão testemunhou “coisas incríveis”; “Ele foi mal assessorado quase a carreira toda. Os amigos se aproveitavam. Ele não tinha visão de dinheiro. Às vezes fazia show em clube lotado, e o empresário dizia que deu prejuízo. Quando Gonzaguinha assumiu a carreira dele, tio Gonzaga teve sua fase de profissional. Passou a receber cachê adiantado. 

Mas, conta Piloto, ele, o tio,  até aí ele não podia, por exemplo, ver um circo. Parava e fazia o show dividindo a renda com o dono, as vezes dava toda renda, quando o circo estava com muita dificuldade. Uma vez cismou de comprar uma Kombi a álcool, ninguém conseguiu convencer ele sobre as desvantagens, da instabilidade, nada. Quando ele queria, tinha que ser. E assim foi.

Fausto Luiz Maciel agora é uma saudade...um toque de zabumba que nesta vida já não escutaremos nos festejos de dezembro em Exu, Pernambuco.


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