Nesta segunda-feira (02), Dia de Finados é de saudades em memória do jornalista e memorialista Huberto Cabral. Tive a imensa honra de ouvi-lo expressar a sua alegria, quando iniciei o programa Nas Asas da Asa Branca-Viva Luiz Gonzaga, na Rádio Emissora Educadora do Cariri-FM 102.1, aos domingos.
Nascido no dia 20 dezembro de 1936, Huberto Cabral caminhava para completar 89 anos. Fez a "Viagem para o Sertão da Eternidade" no dia 24 de agosto.
Huberto Cabral era um exemplo de gostar de trabalhar. Em plena atividade atuava na Rádio Educadora do Cariri, FM 102.1, na cidade do Crato Ceará.
Todos o consideravam uma ‘enciclopédia viva’ da história regional e reconhecido como uma das personalidades históricas do Cariri. Em vida ganhou o título de Doutor Honoris Causa, título aprovado por unanimidade pelo Conselho Superior da Universidade Regional do Cariri (URCA), em 2024.
Inquieto, determinado. Huberto Cabral teve atividades em jornais, como O Levita, que foi um dos editores, que passou a editar ainda no Seminário, e depois a Ação, porta-voz da Diocese do Crato.
Huberto Cabral também atuou na Amplificadora Cratense, pioneiro no serviço de alto-falante da região do Cariri. Com a fundação da Rádio Araripe do Crato, primeira emissora do interior cearense, Huberto Cabral passou a atuar na emissora dos Diários Associados, maior conglomerado de mídia da América Latina.
Huberto Cabral era referência e testemunha ocular de episódios históricos da cidade e uma das fontes essenciais de muitos acontecimentos.
"Era um guardião de documentos de notável relevância, além de ser requisitado com frequência por pesquisares de universidades da região, além da imprensa, para dar depoimentos relevantes para pesquisas acadêmicas e matérias que são veiculadas até hoje nos meios de comunicação".
Huberto foi um jornalista que entrevistou até presidente da República. Mas, era o assunto Cariri que faziam seus olhos brilharem. "Estive com Luiz Gonzaga, Patativa do Assaré, Padre Antônio Vieira, Zé Clementino, Pedro Bandeira, figuras geniais, dizia Huberto Cabral.
Ele contava que Luiz Gonzaga tinha grande amizade pelo Crato e cita: Luiz Gonzaga, ao deixar sua terra natal e fugir para Fortaleza, passou pelo Crato, pegou um trem na estação com destino à Fortaleza, onde serviu no quartel do 23º BC. "Quando menino, o pai de Luiz Gonzaga, seu Januário e a mãe Santana vinham sempre que podia para o Crato onde comercializava seus produtos na feira, principalmente farinha".
Huberto Cabral foi testemunha vivo da história que Luiz Gonzaga participou de alguns momentos marcantes do Crato. Em 1946, por exemplo, ele retorna ao Crato para animar e tocar em leilões da festa de São Francisco. Maçom que era, Luiz Gonzaga teve vários trabalhos filantrópicos desenvolvidos a favor do bem estar do povo.
Em 1951 Luiz Gonzaga esteve presente à inauguração da Rádio Araripe, primeira emissora de rádio do Interior do Ceará, junto com o pai, Januário, e o irmão, Zé Gonzaga. Em 1953 Luiz Gonzaga participou da festa do centenário do Crato realizando show na Praça da Sé. Em 1974 recebeu o título de cidadão cratense outorgado pela Câmara Municipal em iniciativa do vereador Ivan Veloso.
Em 1987 na Expocrato o presidente da Comissão Gestora, Francisco Henrique Costa, promoveu grande show folclórico na história da exposição numa homenagem a quatro heróis do ciclo do Jumento. “Pela primeira vez e única vez reuniram-se no palco Luiz Gonzaga, Patativa do Assaré, Padre Antonio Vieira e José Clementino que foram saudados pelo violeiro Pedro bandeira”. revela Hubeto Cabral.
Huberto Cabral foi agraciado com a Comenda Bárbara de Alencar, a maior do Município do Crato, além dos diplomas da Câmara Municipal do Crato, Mérito Legislativo e Jornalista João Brígido dos Santos, e a Comenda Irineu Pinheiro, do Instituto Cultural do Cariri – ICC.
Assim vi, ouvi e aqui reproduzo...