ESTÁTUA PADRE CÍCERO COMPLETA 57 ANOS

Visitar Juazeiro do Norte e não ir até o Horto é algo raro para os romeiros que vão até o município fazer demonstrações de fé ao Padre Cícero. A estátua do santo popular completa 57 anos, neste domingo (1º), véspera do dia de finados. Ela é a terceira maior estátua em concreto do mundo.

A estátua do Padre Cícero fica na Colina do Horto, um dos pontos mais altos do município, possui 27 metros e recebe visitantes desde a sua inauguração em 1º de novembro de 1969. A obra foi esculpida pelo pernambucano Armando Lacerda durante a gestão do prefeito Mauro Sampaio.

“A gente se sente mais perto do nosso padrinho e que a benção dele está mais perto de nós”, afirma um romeiro de Alagoas.


Nenhum comentário

CRATO: EX PREFEITO, MÉDICO ZÉ ADEGA. HISTÓRIAS DO LIVRO GONZAGUINHA E GONZAGÃO

O Brasil celebra os trinta e sete anos de saudades do Rei do Baião, desde que Luiz Gonzaga "viajou para o Sertão da Eternidade", no dia 02 de agosto de 1989. No dia 13 de dezembro todo o Nordeste vai festejar os 114 anos do nascimento da maior referência da Música Brasileira, Luiz Gonzaga, citado por Gilberto Gil e Caetano Veloso

Este ano reportagem especial mostra alguns fatos que fazem parte da história. O BLOG NEY VITAL, jornalista Ney Vital,  conversou com o ex prefeito de Crato, Ceará, administrador da Princesinha do Cariri, entre o ano de 1989 a 1992, o médico José Aldegundes Muniz Gomes de Matos, conhecido por doutor Zé Adega, fundador da Rádio Princesa FM. 

Zé Adega é protagonista de uma citação no Livro Gonzaguinha e Gonzagão-Uma História Brasileira, de autoria de Regina Echeverria. O fato histórico faz parte do acervo, uma fita cassete gravada por Gonzaguinha contando de todo o trajeto dele, com o corpo de seu pai Luiz Gonzaga. O caixão, vindo de Recife, estava em Juazeiro do Norte e deveria passar pelo Crato, rumo a Exu, Pernambuco, onde o Rei do Baião foi enterrado.

Gonzaguinha citou: "os políticos disseram, temos que entrar no Crato. Eu ri. porque era exatamente o que meu pai, Luiz Gonzaga tinha dito. Ele sabia que o Crato ia querer tirar o caixão com o corpo de Juazeiro. Eu tinha avisado que o corpo não ia passar por dentro da cidade. O PREFEITO Zé Adega tinha pedido para o corpo passar pela prefeitura, entramos no Crato, muitas pessoas correndo, o largo da prefeitura tomado de gente, muita gente dando adeus ao Reio do Baião, ruas lotadas acenando o adeus".

Apesar da insistência do então prefeito Zé Adega, Gonzaguinha não cedeu a pressão e o carro do Corpo de Bombeiros não parou na prefeitura, causando "grande revolta" de todos que estavam nas ruas.

O relato consta na página 290 do livro. Passados 37 anos o relato ainda hoje era sempre lembrado pelo historiador Huberto Cabral, nascido no dia 20 dezembro de 1936, Chamado de ‘enciclopédia viva do Crato’, testemunha ocular de episódios históricos da cidade, e uma das fontes essenciais de muitos acontecimentos. 

Huberto Cabral contava que Luiz Gonzaga tinha em Vida grande amizade pelo Crato e cita: Em 1951 Luiz Gonzaga esteve presente à inauguração da Rádio Araripe, primeira emissora de rádio do Interior do Ceará, junto com o pai, Januário, e o irmão, Zé Gonzaga. Em 1953 Luiz Gonzaga participou da festa do centenário do Crato realizando show na Praça da Sé. Em 1974 recebeu o título de cidadão cratense outorgado pela Câmara Municipal em iniciativa do vereador Ivan Veloso.


Em 1987 na Expocrato o presidente da Comissão Gestora, Francisco Henrique Costa, promoveu grande show folclórico na história da exposição numa homenagem a quatro heróis do ciclo do Jumento. “Pela primeira vez e única vez reuniram-se no palco Luiz Gonzaga, Patativa do Assaré, Padre Antonio Vieira e José Clementino que foram saudados pelo violeiro Pedro bandeira”, revelou na época o saudoso Huberto Cabral.

Nenhum comentário

POETA COMPOSITOR JOSÉ CLEMENTINO E VARZEA ALEGRE, CEARÁ

“Certo mesmo é um ditado do povo/ Pra cavalo velho, o remédio é capim novo…”

Quem não conhece os versos acima, que fazem parte do refrão de um dos maiores sucessos de Luiz Gonzaga nos anos 1970? Capim novo, conhecida nacionalmente pela inclusão na trilha da primeira versão da novela Saramandaia, foi escrita pelo compositor cearense Zé Clementino (1936-2005). A inspiração para a letra é autobiográfica, revela o jornalista e professor universitário doutor Jurani Clementino no livro Zé Clementino: o ‘matuto’ que devolveu o trono ao Rei, lançamento da editora da Universidade Estadual da Paraíba, por meio do selo Latus.

O  livro destaca Clementino como “um sensível cronista da vida do Nordeste” e tem o objetivo de apresentar um “Zé Clementino que é resultado das várias impressões, diversos olhares e pontos de vista”. Por meio de depoimentos de familiares, amigos próximos e reprodução de entrevistas, o autor – primo distante do compositor – traça perfil de um parceiro de Luiz Gonzaga que, ao contrário do conterrâneo Humberto Teixeira e outros como Zé Dantas e Antonio Barros, nunca deixou sua terra natal: Várzea Alegre, homenageada no hino que escreveu para a cidade e na música Contrastes de Várzea Alegre, gravada pelo Rei do Baião, e assim analisada por Jurani no capítulo “Desvelando os contrastes”: “Os contrastes demonstram ainda a capacidade perceptiva e observacional do autor, que ao se referir aos fatos curiosos da cidade, deixa claro a sua veia humorística, o seu poder irônico e sua poesia singular”.

Para os estudiosos da obra do Rei do Baião, o livro é particularmente revelador, pois conta como Clementino escreveu sucessos como Xote dos cabeludos, o desabafo do cantor pernambucano diante das mudanças no comportamento masculino nos anos 1960. “Era uma espécie de protesto a uma moda que fazia a cabeça dos homens ‘modernos’”, lembra Jurani, citando um trecho emblemático da letra, gravada em 1967: “Cabra do cabelo grande, cinturinha de pilão/ Calça justa bem cintada, costeletas bem fechadas, salto alto, fivelão/ Cabra que usa pulseira, no pescoço um medalhão/ Cabra com esse jeitinho no sertão do meu Padim/ Cabra assim não tem vez, não”.

No livro, Jurani também reproduz entrevista de Clementino ao Diário do Nordeste nos anos 1970, quando ele detalha como funcionava sua parceria musical: “As composições que Luiz Gonzaga gravou foram encaminhadas com melodia e letra. O Rei do Baião dava uma ajeitada, impunha o seu estilo. E a música passava a ser dos dois. Aceitava essa situação, queria a parceria”, explica o compositor.

No capítulo “O esquecimento de um Zé”, Jurani muda o tom expositivo e tece críticas aos que narram a vida do cantor sem citar o compositor cearense: “É impressionante a forma quase desrespeitosa como a memória de Clementino é tratada por grande parte dos biógrafos de Luiz Gonzaga”. Por outro lado, ele ressalta o trabalho de uma sobrinha de Clementino, a professora Ana Emília, fundamental na catalogação da obra do tio, que dizia desconhecer a quantidade de músicas que havia escrito. “Muitas vezes, a professora teve que recorrer a Zé Clementino para saber o que significava determinada palavra, verso, uma vez que o áudio estava praticamente incompreensível”, narra Jurani. Ana Emília, ao final do trabalho, conseguiu quantificar as músicas de Clementino, gravadas por Gonzaga (Sou do banco, O jumento é nosso irmão) e outros grandes artistas nordestinos como Sirano, Dominguinhos, Trio Nordestino, Messias Holanda e Genival Lacerda.

No fim do livro, o autor reproduz os discos de Gonzaga que incluem músicas de Clementino, entre eles Óia eu aqui de novo, O sanfoneiro do povo de Deus, Sertão 70 e Capim novo, e ainda contabiliza: “Até março de 2005, foram gravadas 41 músicas, que somadas as 20 regravações, totalizam 61 interpretações, distribuídas entre 32 intérpretes do cancioneiro popular a nível nacional e regional”. Zé Clementino: o ‘matuto’ que devolveu o trono ao Rei é um livro indicado não só para pesquisadores da música brasileira, mas para aqueles que desejam conhecer mais sobre a vida e obra do autor de versos que até hoje habitam a memória do povo nordestino. (Fonte: Carlos Marcelo)

Nenhum comentário

← Postagens mais recentes Postagens mais antigas → Página inicial